Uma ferida que não fecha é um dado, não um detalhe
Uma casca que sai e volta no mesmo ponto, uma mancha que parece estar sempre cicatrizando e nunca termina, uma ferida pequena que você já nem lembra quando apareceu. É uma das queixas mais comuns e também uma das mais adiadas, porque a lesão costuma ser pequena e não doer.
A maior parte dessas lesões não é câncer. Mas o câncer de pele mais comum, o carcinoma basocelular, se apresenta exatamente assim. Por isso o tempo de cicatrização é o primeiro critério objetivo que separa o que pode esperar do que precisa ser investigado.
Cicatrização tem prazo, e é isso que dá o alerta
A pele saudável fecha uma lesão superficial em duas a três semanas. Quando esse prazo passa, o que está acontecendo ali deixou de ser cicatrização e passou a ser outra coisa.
- Quatro semanas é o prazo de referência para procurar avaliação, mesmo que a lesão seja pequena e não doa
- Lesão que fecha e reabre sempre no mesmo lugar conta como lesão que não cicatrizou: o ciclo repetido é o dado importante
- Sangramento ao menor atrito, ao enxugar o rosto ou ao passar a toalha, é sinal relevante mesmo sem dor nenhuma
O que se observa numa lesão suspeita
Os tipos de câncer de pele se apresentam de formas diferentes, então vale conhecer os dois conjuntos de sinais.
Em pintas e sinais: a regra do ABCDE
Cinco características que, juntas ou isoladas, indicam necessidade de avaliação.
- Assimetria: uma metade da lesão é diferente da outra
- Bordas irregulares, mal definidas ou recortadas
- Cores variadas dentro da mesma lesão
- Diâmetro maior que 6 milímetros
- Evolução: mudança de tamanho, cor, forma ou relevo ao longo do tempo
Em feridas que não fecham
Aqui o padrão é outro, e costuma ser mais discreto do que se imagina.
- Borda elevada, firme, com aspecto brilhante ou nacarado
- Centro que afunda, ulcera ou forma crosta repetidamente
- Pequenos vasos visíveis na superfície da lesão
- Área endurecida ao toque, diferente da pele em volta
- Localização em região de muito sol: face, orelha, couro cabeludo, colo e mãos
O que costuma ser: causas benignas e o que as diferencia
A maior parte das lesões que demoram a fechar não é câncer. Reconhecer as causas comuns ajuda a entender o que a avaliação vai procurar separar.
- Eczema e dermatites: costumam coçar, descamar, variar com o clima e aparecer em mais de um lugar ao mesmo tempo
- Úlcera de perna: ligada à circulação venosa, surge no terço inferior da perna, com inchaço e mudança de cor em volta
- Foliculite e picadas: aparecem de repente, podem doer ou coçar bastante e melhoram em poucos dias
- Trauma repetido: a borda de um calçado ou a armação do óculos pode manter uma lesão aberta sem que haja doença de pele
- Ceratose seborreica: lesão benigna comum após os 40 anos, áspera e aderida, que não ulcera nem sangra sem motivo
- Ceratose actínica: aspereza por anos de sol. Não é câncer, mas indica dano solar acumulado e merece acompanhamento
O padrão que não se explica por nenhuma dessas
Lesão única, de crescimento lento, indolor, que não responde a nada e persiste por meses no mesmo lugar. É esse conjunto que leva à investigação.
Como o diagnóstico é feito
A investigação é curta e tem três etapas. Em lesões pequenas, as duas últimas podem acontecer no mesmo dia.
- Exame da lesão: aspecto, tamanho, bordas e relação com as estruturas em volta, além do exame da pele como um todo
- Dermatoscopia: lente de aumento com luz própria, que mostra padrões de cor e de vasos invisíveis a olho nu
- Biópsia: único exame que fecha o diagnóstico. Em lesão pequena, muitas vezes já é possível retirar tudo na mesma hora
- Laudo e conduta: o resultado define se o caso encerra ali ou se exige cirurgia com margens maiores
Quando isso vira caso cirúrgico
A cirurgia entra quando o laudo confirma malignidade, ou quando a própria retirada é o melhor jeito de obter o diagnóstico. Veja como funciona a cirurgia de câncer de pele em Brusque.
Quando a biópsia já é positiva
Com o laudo em mãos, o planejamento define a margem de segurança necessária para aquele tipo de tumor.
- Margem definida pelo tipo e pela espessura da lesão
- Reconstrução planejada junto com a retirada
- Em melanoma, avaliação da necessidade de pesquisa de linfonodo sentinela
Quando a lesão é pequena e ainda não tem biópsia
Em muitas lesões pequenas a retirada completa é ao mesmo tempo o exame e o tratamento, o que encurta o caminho.
- Procedimento com anestesia local, em consultório ou hospital conforme o caso
- Material enviado para análise na mesma oportunidade
- Retorno para discutir o laudo e definir o acompanhamento
O que fazer enquanto aguarda a avaliação
Nenhuma dessas medidas trata a lesão, mas todas evitam atrapalhar o diagnóstico.
- Não arranque a casca, não aperte e não tente remover nada: manipular altera o aspecto e dificulta a leitura
- Evite pomada por conta própria, porque pode mudar a aparência da lesão sem resolver a causa
- Registre a lesão com boa luz e uma régua ao lado, e leve o registro na consulta: ajuda a mostrar a evolução
- Cubra a área e use protetor solar na pele em volta
- Separe laudos de biópsia, dermatoscopia ou avaliações anteriores para o primeiro contato
- Não espere doer: a maior parte das lesões de pele que exigem cirurgia não dói em momento nenhum
Onde é feita a avaliação
O atendimento acontece no consultório no Centro de Brusque, e as cirurgias são realizadas no Hospital IMAS. O agendamento é direto pelo WhatsApp, sem necessidade de encaminhamento.
- Consultório: Avenida 1 de Maio, 62, Sala 02, Centro, Brusque - SC
- Cirurgias: Hospital IMAS, Brusque - SC
- Atendimento particular, sem filas de espera
- Região atendida: Brusque, Guabiruba, Botuverá, Tijucas, Nova Trento, Canelinha, São João Batista e Gaspar
Perguntas frequentes
Quanto tempo uma ferida na pele pode levar para cicatrizar?
Uma lesão superficial costuma fechar em duas a três semanas. Quando passa de quatro semanas sem cicatrizar, ou quando fecha e reabre no mesmo lugar, vale procurar avaliação. O prazo é um critério objetivo e simples de observar em casa.
Mancha que não cicatriza é sempre câncer de pele?
Não. A maior parte dessas lesões tem causa benigna, como eczema, dermatite, foliculite ou úlcera de origem circulatória nas pernas. O ponto de atenção é que o tipo mais comum de câncer de pele, o carcinoma basocelular, se apresenta justamente como uma ferida que não fecha.
Preciso de encaminhamento do dermatologista para ser avaliada?
Não é necessário encaminhamento formal. Se você já tem um laudo de biópsia ou uma indicação do dermatologista, pode enviar junto com o contato, porque isso agiliza a análise do caso.
Como é feita a biópsia de uma lesão de pele?
Depende do tamanho e da localização. Em lesões pequenas costuma ser possível retirar a lesão inteira na mesma hora, com anestesia local. Em lesões maiores, retira-se um fragmento para análise antes de planejar a cirurgia definitiva.
A cirurgia deixa cicatriz aparente?
Toda cirurgia deixa cicatriz. O planejamento considera a direção das linhas naturais da pele e a técnica de fechamento, sempre dentro do que a segurança oncológica exige, já que a prioridade é a margem adequada.
Uma lesão avaliada cedo muda o tamanho da cirurgia
Se você tem uma ferida que não fecha há mais de quatro semanas, agende uma avaliação. A Dra. Flávia Magalini examina a lesão e define o próximo passo na mesma consulta.
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